Em vez de investir em reciclagem, cidades optam por usinas de incineração. Lixo que poderia ser reaproveitado vira fumaça.
Depois de 19 anos de tramitação no Congresso Nacional, a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada no ano passado com festa pelos ambientalistas. No entanto, uma modificação de última hora permitiu a adoção da incineração do lixo como uma alternativa que passou a ser considerada de forma corriqueira por diversas cidades em todo o Brasil.
Em vez de investir em programas de coleta seletiva, muitas prefeituras têm projetos para construir usinas de incineração, apresentadas como solução “verde”. Especialistas, porém, afirmam que o custo para se implantar uma usina é maior aos ganhos econômicos, sociais e ambientais da reciclagem. “Retirar a matéria-prima do meio ambiente é mais caro do que reaproveitá-la”, afirma Jutta Gutberlet, professora e coordenadora do projeto de coleta seletiva Brasil-Canadá.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a reciclagem de apenas 2,4% de todo o lixo produzido no Brasil por ano representa economia de recursos de R$ 1,3 bilhão a R$ 3 bilhões. Tal valor poderia ser de R$ 8 bilhões se todos os resíduos sólidos urbanos como plásticos fossem reciclados.


















